


O Sesi-SP é o vice-líder da Superliga masculina e duela nesta terça-feira com o BMG/São Bernardo, que está apenas na oitava colocação. Apesar dos 11 pontos de diferença entre as equipes, o líbero Serginho aposta em um duelo complicado para o time da capital no ginásio Poliesportivo, em São Bernardo do Campo.
"Sabemos que eles têm um time perigoso, principalmente pelo poderio físico dos jogadores. Tecnicamente, eles ainda têm a crescer, mas, quando jogam com time grande, conseguem tornar o jogo difícil. Na verdade, acredito que esse vai ser uma partida complicada para os dois lados", declarou o atleta da Seleção.
A cautela é justificada, tendo em vista o resultado do turno, quando, mesmo jogando na casa do adversário, o BMG/São Bernardo venceu por 3 sets a 1. Além disso, Serginho conhece o treinador rival. Rubinho é assistente técnico da Seleção Brasileira e tem o respeito do líbero do Sesi-SP.
"Enfrentar o BMG/São Bernardo não é fácil. Eles têm um time jovem e que conta com um comandante muito bom, que sabe trabalhar bem com a garotada", disse Sergionho, que logo teve os elogios retribuídos por Rubinho.
"O Serginho é um jogador de primeiro escalão no mundo. Em qualquer time que ele jogar, ou na seleção, ele vai fazer a diferença. Temos que tentar fazer com que ele não interfira tanto no jogo, mas sabemos que isso é muito difícil. Ele é um jogador que sempre é positivo para a equipe", declarou o treinador do São Bernardo, que também conhece bem Murilo, Sidão, Rodrigão, e Wallace da Seleção.

O início da discussão entre Bernardinho e Serginho na Copa do Mundo não foi flagrado pelas câmeras de TV. Fora das imagens que geraram polêmica durante o jogo da seleção contra a Argentina, Murilo chamou para si a responsabilidade pelo estopim da confusão. Durante a apresentação da Superliga, em São Paulo, o jogador afirmou que foi ele quem primeiro levantou a voz para o técnico, sendo defendido em seguida pelo líbero. Protagonista do episódio, no entanto, Serginho releva e diz que o problema em nada atrapalhou o desempenho brasileiro no Japão.
- Aquilo é normal, uma discussão de jogo. Vocês (jornalistas) que nunca devem ter visto. Isso é mais que normal. Eu faço isso toda hora no time de pelada, com meus amigos. Xingo mesmo. Quem nunca mandou um amigo para aquele lugar? Eu sempre mando – brincou o líbero.
Murilo diz que o problema foi resolvido ali mesmo, na quadra. Segundo o jogador do Sesi, o trio se reuniu no fim do jogo para conversar, impedindo um clima ruim nos jogos seguintes da equipe – as derrotas para Cuba e Sérvia.

- Não foi a primeira nem a última discussão que alguém vai ter com o Bernardinho. Quem começou a discussão fui eu. O jogo estava nervoso, o Bernardo cobrando, acabei perdendo a paciência e respondi. Ele retrucou e o Serginho se colocou no meio. Mas, logo depois, ele me substituiu e eu pedi desculpas. Isso é normal. Depois, nos reunimos e conversamos. O que acontece, resolvemos ali dentro. O importante é que o Bernardo nunca leva nada adiante. Resolve ali mesmo, e isso é bom. Eu pedi desculpas e ele disse: "Quantas vezes eu não perdi a cabeça?". Que isso não vire uma constância.
Os outros jogadores da seleção também afirmaram que a discussão em nada atrapalhou o desempenho da equipe em quadra. Dante, que ficou alguns jogos fora por conta de uma lesão no abdômen, disse que nem viu a confusão na hora.
- Eu nem vi isso, só fui saber depois. Tanto que me perguntaram e eu disse que não tinha visto. Perguntei para o Gustavo e ele também não tinha visto. Mas só isso para engrandecer o time. Depois, foi tranqüilo. Não tivemos nenhuma rachadura no grupo. Nós estamos focados para não criar esse desgaste. Esse é o nosso maior pacto.
A Seleção Brasileira masculina de vôlei fez uma Copa do Mundo com altos e baixos, em que teve que lidar com erros e uma desgastante maratona de jogos. Houve, porém, um porto seguro para o Brasil. O líbero Serginho foi o atleta mais regular da equipe, demonstrando fôlego e boa capacidade física. Ao final da competição, foi recompensado com o prêmio de melhor recepção do torneio.
O Terra conversou com Serginho no Japão, e ouviu do veterano os segredos para que tenha disputado sua terceira Copa do Mundo em alto nível e seus planos (ou ausência de) para o futuro. "Quero jogar até quando me der prazer. Sempre falo que o objetivo de amanhã é conseguir treinar. Estou aqui e quero fazer meu papel bem do mesmo jeito que fiz durante todos esses anos", disse.
O líbero ainda comentou sobre sua relação com o técnico Bernardinho, que ganhou destaque no Brasil após os dois discutirem na vitória sobre a Argentina por 3 sets a 0. Serginho destacou o bom convívio e citou que tem no treinador um pai. Confira a seguir mais sobre o dono da melhor recepção da Copa do Mundo de 2011.
Terra - Qual é sua análise do desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo? Não veio título, mas veio a vaga. A missão foi cumprida?
Serginho - Missão cumprida, mas sabemos que temos que melhorar em alguns aspectos que pecamos na competição. Não jogamos como jogamos em outros campeonatos, como as últimas duas Copas. Mas missão dada é missão cumprida. Conseguimos a vaga e isso que é importante. Agora é pensar na Superliga. Estamos em Londres e isso é o que importa.
Terra - E o que achou do seu próprio desempenho?
Serginho - Estou feliz. Fiz uma boa Copa do Mundo. Terminei em segundo como melhor líbero, mas está bom. Melhor até não ganhar, já venci em 2003 e 2007. Saí com outro prêmio e fico feliz, mas mais feliz com o passaporte carimbado para Londres.
Terra - Como um dos mais veteranos da Seleção, você chega a passar informações para os atletas mais novos da equipe?
Serginho - Os jogadores mais novos já têm uma certa bagagem. A maioria foi campeão mundial na Itália, já ganharam Liga Mundial, então passo muita pouca coisa. Às vezes passo alguma tranquilidade dentro da quadra, uma informação ou outra. Eles são novos, mas já bem rodados no cenário mundial.
Terra - Você está com 36 anos, mas ainda jogando em alto nível. Pensa em atuar na Seleção por mais quanto tempo?
Serginho - Eu não faço planos. Quero jogar até quando me der prazer. Sempre falo que o objetivo de amanhã é conseguir treinar. Não que eu queria sair da Seleção, ficar seis, sete anos. Estou aqui e quero fazer meu papel bem do mesmo jeito que fiz durante todos esses anos. Quando eu sair quero deixar o lugar para outro que esteja preparado para dar continuidade, porque a Seleção Brasileira hoje ganhou um favoritismo muito grande pelos resultados que conquistou. Essa molecada nova que está vindo são pedras preciosas que precisam ser lapidadas, que serão com o passar do tempo, do mesmo jeito que eu fui.
Terra - Sua discussão com o Bernardinho durante a partida contra a Argentina ganhou vasta repercussão no Brasil. Como é sua relação com o técnico?
Serginho - Minha relação com o Bernardo é como de pai para filho. Eu tenho um carinho muito grande pelo profissional e pela pessoa. Essa discussão com ele é normal. Quase todos já discutimos, é normal. Gustavo já discutiu com o Bernardo, Murilo, Giba. Naquele dia fui eu para ver se o time acordava naquele momento. É normal. Meu respeito e carinho pelo Bernardo vão continuar sempre. Até porque, durante anos ganhamos meio que na loucura. É a forma que a Seleção joga. Brigamos, mas de um jeito de querer bem o companheiro, sem quer atrapalhar. Até por isso que ganharmos da Argentina. E o carinho que tenho pelo Bernardo é mútuo e vai além do voleibol. Não fica só na quadra.
Terra - É a terceira Copa do Mundo seguida em que você conquista um prêmio individual. Como fazer para manter as boas atuações no time titular da Seleção?
Serginho - É o trabalho sério, o trabalho duro. Tento manter meu nível sempre alto.

Apesar da campanha irregular do Brasil na Copa do Mundo de vôlei masculino, o líbero Serginho levantou o troféu de melhor recepção da competição. A Seleção Brasileira, que terminou em 3ª na competição e garantiu vaga nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, teve Serginho como seu único representante na equipe dos melhores do campeonato. Já Maxim Mikhaylov, jogador da Rússia, foi eleito o melhor jogador da competição.
Fernando Hernandez, jogador de Cuba, foi o maior pontuador do torneio, enquanto Ahmed Abdelhay , do Egito, foi eleito o melhor atacante. O polonês Marcin Mozdzonek ficou com o troféu de melhor bloqueador. Entre os premiados também estão o italiano Cristian Savi, com melhor saque, Luciano De Cecco, da Argentina, como melhor levantador, e Ren Qi, da China, como melhor líbero.
Confira todos os ganhadores:
MVP: Maxim Mikhaylov (Rússia)
Melhor pontuador: Fernando Hernandez Ramos (Cuba)
Melhor atacante: Ahmed Abdelhay (Egito)
Melhor bloqueio: Marcin Mozdzonek (Polônia)
Melhor saque: Cristian Savani (Itália)
Melhor levantador: Luciano De Cecco (Argentina)
Melhor recepção: Serginho(Brasil)
Melhor Líbero: Ren Qi(China)